Stand by me

'Times are hard, when the things you got no meaning'

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   Se soa bonito vira poema, se faz falta quando vai, desatinos
 eles veem a necessidade de aprisioná-lo, o transformam em verdade quase absoluta, amam possessivamente e de tão cegos não enxergam que o que antes era ouro, mortifica-se pouco a pouco. Consternada, eu te jogo pra cima o tempo inteiro, cruzo os dedos e espero que volte, mas isso só dentro de mim porque por fora cruzo e aperto meus braços em torno de seu pescoço, e torço pra que você não seja mais forte, só dessa vez. Não te amo, não soa bonito e dentro de mim é mentira quase que absoluta, é verdade apenas quando eu preciso, que é quase nunca. Quase.

[thayaliduir] 

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 E quanto mais perto, nosso inconsciente tende a ficar mais perturbado, procurando de todas as formas achar um jeito de fazer com isso que não devia nem ter começado, acabe. Inclinado à tristeza, o que nos resta é ceder, pouco a pouco até que não sobre nada de nós dois, nenhum tipo de passado, nada que valha lembrar, nada que interfira, nada que provoque receios ou arrependimentos, nenhuma lembrança que nos faça cogitar revivê-la, nada bom, nada ruim, nada. Meu coração avelhantado, se transforma pouco a pouco em horda, com direito a flechas sendo disparadas sem razão qualquer para todos os sentidos e lembranças, e a pouco de sucumbir, traz a lume, de forma injusta, nostalgia. Aquilo que falam que quando você está perto de partir, sua vida toda é posta em filme diante de seus olhos, é juízo que não se pode negar, o que marcou de fato então, surge, translúcido, mas ainda sim perceptível, e eu desejo nessa hora, nitidez, e com tudo que me faz forte desejo resistir, mas as circunstâncias vieram dispostas a guerra, e eu me fazia a cada minuto sem condições. Foi o tempo então, ou foi cada minuto no qual não pude fazer nada, que fizeram com que tudo se encaminhasse para um fim, nosso novo fim, para um novo começo meu.

[thayaliduir]

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  Cabe em mim uma certa admiração por quem conviveu com sofrimento nessa vida, porém ainda sim prefere expor minuciosamente a felicidade, acredito com veemência que não possa fazer isso um dia, minha felicidade, se minha mesmo, passa por mim num surto, numa agitação de espírito, como um vulto, e vai, espairece no tempo, diferente do meu sofrimento, impetuoso, violento, intenso, que plana e quase sempre se decide por ficar. Eu não preciso me curar da felicidade assim como faço usualmente com meu sofrimento, creio que também não posso cultivá-la, por achar egoísmo mantê-la sempre comigo. Ainda revestida de toda minha sensatez porém algumas vezes de falsa persuasão, declaro que não sei se sou feliz, eu sei que sou quando ela, ela a felicidade, vem e transborda, mas já não sei quando se vai, quando se vai devo ser apenas eu, vago, lúgubre, tentando não ser tão tétrico enquanto tento não sucumbir ao peso do revés da minha dor.

[thayaliduir]

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     Sua vida não era uma que valia ser invejada, ela não tinha compromissos, ou amigos, indiferença, sopro, letargia do hábito se faziam sempre presente, todos os dias sem hesitar, ela não parecia mesmo ter aproveitado de muitos amores, era sem sal, não tinha aquele ‘que’, não tinha também muito o que contar da vida, não tinha com quem contar na vida, a maioria de seus passos ela deu só, e pra ela estava tudo bem. A maior parte do seu tempo era preenchida por histórias de livros de cor amarelo mostarda, empoeirados, frágeis, de uma estante de um sebo qualquer. Assoprava sempre as folhas do banco, e de frente pra uma daquelas tardes, que o sol decide encerrar o ponto mais cedo, dando lugar a algumas nuvens quentes, ela leu que, ”eram abençoados os corações flexíveis pois nunca seriam partidos”, ela perdeu noites imaginando como seria bom se fosse mesmo assim, não o fato de ser flexível, mas o de ter um coração.

[thayaliduir]

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      E pra me curar, eu percebi com muito custo que precisava primeiro ter disciplina, cobrar mais de mim mesma pra não deixar mais a vida fazer isso por mim, prometi ser fiel a mim mesma, nunca mais me desapontar, prometi não mais ceder, e jamais escrever sem inspiração, pois tudo que saia de mim, nascia primeiro em algum lugar que precisava estar afetado, que a ferida mesmo que interna tinha necessidade de doer mais que uma externa depois de banhada por uma daquelas bebidas fortes que me faziam companhia em uma noite qualquer, e daí quando não era algo imundo, revestido de passado, eu me permitia colher e castigar um papel.

      E eu era feliz assim, e mesmo que careça de sentido, eu era feliz por ser tão triste, mas conseguir exprimir com precisão, e isso era como rir da própria dor, eu via como uma forma de ignorá-la, e tenho certeza que nada a afetava mais.

      Mas agora tristeza nenhuma desembarcava em meu porto, nada mais me cortava por dentro, e dentro de mim também já não chovia e nada mais regava minha inspiração, agora eu brilhava, sol, mas dentro de mim era deserto raiava de dia, a noite porém se fazia insuportável, fria, escura, vazia, eu esperava que te ter me trouxesse felicidade plena, sem espaços, e me fizesse por dentro ao invés de deserto, paraíso, mas acontece que quando se passa a conviver com a dor, você aprende a suportá-la e mais ela passa a te inspirar te apresenta amigos que sempre estarão lá, e falo das calçadas das ruas úmidas, falo da lua que só me desapontava num eclipse solar quando não me permitia enxergá-la, porém diante tanta precisão e beleza eu conseguia admirá-la ainda mais, minha dor me ensinou a me enxergar nos espelhos d’água que a chuva deixava nos buracos de uma estrada qualquer, eu aprendi então a fazer da minha dor base sólida pra minha felicidade, e foi por você conseguir diluí-la, me contrariando, que então sou só feliz, porém insegura, agora me cabe ser apenas deserto e já não mais metade quente, convidativa e metade fria, apática, e sim metade medo, metade amor.

[thayaliduir]

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E tenha certeza, que se tem algo que dói mais do que qualquer despedida, é quando algumas pessoas simplesmente te deixam, antes mesmo de você partir. 

[thayaliduir]

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chp 1

  

   Era anormal a forma como tudo me fazia lembrar ela, o lago gélido que me intimava, em particular, lago que no verão, só faltava explodir inúmeras bolhas devido à alta temperatura no qual se encontrava, ainda tenho minhas dúvidas se existe a palavra que preciso pra descrever como eu me sentia ao passar os verões ao lado dela, e obviamente todas as outras estações, mas o verão em particular, eu parecia amá-la mais durante o verão, ou não, ou era ela quem me amava mais e aquilo me erguia à plena felicidade, ainda não sei, só sei que era como se ela adquirisse luz própria, as ondas de seus cabelos em movimento emitiam raios, assim como os do sol, estonteantes e de uma intensidade invejável, seus olhos da cor do galho de uma árvore depois da chuva admitiam mesmo assim todas as cores do espectro visível e faziam questão de sempre oscilar para mim, o sorriso, ah o sorriso dela era mais feliz, e aparecia pra mim com freqüência, sendo sempre muito convidativo e na maioria das vezes se fechava junto a meus lábios, num deslize macio e aconchegante, acho que também cabe mencionar a suavidade que sua pele adquiria naquela estação, quando se juntava a minha era como se não houvesse atrito algum, ela escorria perfeitamente pelo meu corpo enquanto eu a envolvia, e brilhando, sempre brilhando no verão. Minha conexão com ela era magnífica, eu podia jurar que escutava as batidas de seu coração a quarteirões de distancia dela, o que não acontecia com frequência, pois eu me limitava a sair de perto da perfeição que possuía o corpo e alma dela, do meu amor, naquela estação.

 Como ela me fazia falta, e esta estação na qual ela radiava também, pois agora todos os anos só possuíam invernos pra mim, era como se agora eu fosse parte desta estação fria, vazia e sem cor, como se eu congelasse e esbranquissace cada flor colorida da primavera ou cada folha do outono esquecida no chão, verões? Ah os verões nem se atreviam a passar por mim, me deixaram pra sempre assim que ela morreu pra mim, eles foram enterrados ao lado dela, ao lado do meu antigo amor e que já não sorria, aliás, não dotava de mais nenhuma expressão, agora ela tinha olhos profundos e obscuros, cabelos opacos e uma pele áspera, rude, já não se parecia mais com a mulher que eu costumava amar, e amar mais ainda no verão.

  Faz hoje um ano, desde que tive que aprender a viver sem verões, sem aquele calor que me fazia arder por dentro me fazia desejar que fosse cada vez mais e mais quente, e claro, sem minha Verena. 

[thayaliduir]

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intr.

Me parecia de fato, um lugar de difícil descrição devido tanta magnificência. O ar passava alígero e gélido por minha traquéia, porém inflava e desinflava meus pulmões com calma, isso enquanto meus olhos eram contemplados pelo verde uniforme suspenso por inúmeros galhos marrons, a brisa eriçava meus pelos, o lago cuja água estava quase por petrificar, emitia o reflexo que obviamente era o da minha pessoa, mas eu poderia jurar que me encarava com um olhar que não era o meu, pelo menos não o que eu estava por usar agora, era quase como se aquele olhar estivesse me intimando a lançar meu corpo naquela escuridão liquida e gelada.  Ah se pudessem ler meus pensamentos de fato a única visão que eu poderia descrever era a de um quarto branco com paredes devidamente acolchoadas enquanto estou sobre uma maca abraçando a mim mesmo contra a minha vontade, envolvido por uma camisa branca que me impossibilita de sair daquela posição. Eu nem sempre fui assim, houve tempos em que minhas conversas eram mais explicitas e sensatas, a lua não me fazia tanta companhia como agora eu era mais pro lado de dentro da órbita, sociável, agora eu sou apenas o que restou de mim e mais da metade é pura insensatez, e tudo por culpa dela, meu eu foi com ela assim quando eu a enterrei.  

[thayaliduir]

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  E é por sentir, mas não conseguir exprimir em palavras tal sentimento, estúpido, que me propicia olheiras e lágrimas em demasia, que me considero vinda de povos ágrafos, e caso não seja, então talvez meu coração não valha de nada, além de sua função bastarda de encaminhar um líquido que eu posso jurar que tem seu fim em meus olhos tomando lugar das lágrimas, então talvez ele não dispare por amor no intervalo em que encaro a cor de sua íris, meu reflexo em sua pupila e sinto ao mesmo tempo suas mãos gélidas se entrelaçarem a meus dedos. Talvez eu prefira deixar assim, pois como ia dizendo Exupéry ‘Se cada um que passa por nós deixa um pouco de si e leva um pouco de nós’ talvez eu tenha adquirido uma parte considerável de seu comodismo, mas não muito, pois é claro que grande parte ainda é um lastimável atributo de sua personalidade. Assim decido concluir, investida de toda insensatez possível, que meu coração dispara de fato, mas dispara devido ao choque térmico de sua pele, de seda, em contato com a minha rude, rude assim como meu coração. Meu miserável coração de pedra, uma rocha aguda e afiada, que me castiga e me corta por dentro a cada vez que bate com destreza, no exato momento em que eu simplesmente, penso em você.

[thayaliduir]

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a verdade.

 

   Estúpida, ela foi quando prometeu a si mesma, criou toda uma teoria, traçou seu caminho fez suas malas e trancou seu coração, pretendendo seguir assim daí pra frente. Mas a verdade é que ele sempre será o pecado pelo qual ela irá arcar com as consequências, ele é a exceção de qualquer teoria e funciona também como desvio de todo caminho ou qualquer plano, que ela tenha feito e não o tenha encaixado, e o mais importante por mais que ela tranque seu coração ele sempre vai saber como atingi-la, daí ou ela se entrega ou ele vai descobrir a combinação, e ela sabe que ninguém faz isso melhor que ele. O que os dois precisam é simplesmente aceitar que de uma forma ou de outra suas vidas vão sempre se encontrar. E por mais ridículo que pareça os dois sabem disso, mas nenhum diz nada, e só por que é bem mais fácil não dizer, então talvez fiquem esperando que olhares, raramente trocados, traduzam o silêncio deles, mas as vezes simplesmente não traduzem, porque isso nem as palavras mais sinceras e profundas conseguem fazer, e eles preferem deixar assim como está, até quando, ninguém sabe, apesar de todos chutarem o final da história eles crescem deixando algumas páginas em branco e ainda deixando o destino no controle de suas vidas, por que ela tem medo de um novo acidente por ja ter se machucado demais, e ele? Ele simplesmente não se importa.

[thayaliduir]

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A madrugada se extinguia dando lugar a uma manhã, úmida, e apesar de chover agulhas que perfuravam minhas costas freneticamente, os raios de sol me fuzilavam, foi junto a esse sereno frio e agonizante que notei que a cama estava vazia, diferente de ontem a noite, e ali ainda relutando contra a luz estupidamente branca, me seviciava tentando recordar momentos inteiros, ou sensatos, do que havia acontecido ontem á noite, mas minha memória estava debilitada a flashes, e a única coisa que eles tinham em comum era um mesmo sorriso as mesmas curvas, fios de cabelos longos escorrendo pelo meu tórax e as mãos ardentes subindo firmemente pelo meu maxilar até seus dedos alcançarem e por fim se entrelaçarem a meus cabelos escuros e curtos, mas era quase que impossível uma ligação entre uma cena e outra, eu não obtive êxito ao tentar ver seu rosto, era quase como se ela não me permitisse. Eu estava no meio de algo entre a realidade e a insensatez e já não sabia em que acreditar, mesmo assim poderia ficar ali pra sempre. Ela não me parecia real, e não devia mesmo ser, não me eram cedidas palavras pra que eu pudesse descrever o que possivelmente havia acontecido com meu sentido necessário para o fim desse mistério. E posso dizer que nenhum adjetivo qualificava melhor aquele ser que, perfeita, e mesmo sem a lembrança da qual eu mataria pra ter, eu consigo arduamente recordar a sensação de quando tive seu corpo sobreposto ao meu, em oscilações suaves e ao mesmo tempo impactantes.  Talvez felizmente no fim, a única conclusão que estava a meu alcance de fato, era que surtia o efeito de um Jack Daniels inteiro, e isso mesmo para quem bebesse, só uma dose dela.

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 E hoje de fato o que mais me perturba não são os erros que constroem uma certa parte do meu passado, e que de certo modo ainda reluto pra esquecer, e sim os momentos inacabados, o que me crucifica é não saber como ele podia ter terminado, aquela sensação ordinária de uma curiosidade disparatada que te corroe. Não, não consigo me permitir acreditar que aquele tenha sido o fim. E quando me odeio razoávelmente é quando lembro que que podia ter exigido que você fosse mais claro quanto ao que se passava por entre nossas vidas naquele instante, sempiterno, e que mesmo assim parece não ter durado o suficiente para nenhum de nós dois, eu podia apenas ter dito ou feito algo que exigisse sua atitude imediata e quem sabe até recíproca, sim, eu poderia não ter sido covarde ou acomodada e sim precisa, só assim eu saberia agora que rumo aquele instante teria tomado, aqui eu concluo o dever risível de me castigar, ressaltando que tudo estaria inequívoco e consequentemente diferente, se você simplesmente, tivesse chegado mais perto.

[thayaliduir]

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Ela um dia há de aprender que toda a superficialidade que ela aprisiona e faz questão de cultivar, irá escapar de seu frasco cansado, gasto, ela vai aprender a ser mais real, e viver mais pro lado de cá, vai parar de ter longas conversas com a lua, e aprender a voltar pra casa toda vez que a festa não estiver boa, vai aprender a ser menos sensata e dar a devida liberdade a suas palavras, desenfrear seus sentimentos e aprender a aceitar que momento nenhum, dura mais do que é pra ser, ela vai viver mais a vida de uma forma que a satisfaça, ela há de fazer mais do que der vontade, ser a cada dia quem ela quiser ser, ela vai aprender, cedo ou tarde, que tem que aproveitar mais cada passo, e parar com a mania de espiar por cima do ombro o que já ficou pra trás, vai deixar seu cabelo dançar livremente passos desordenados com vento, e seu sorriso refletir a cada manhã um novo sol, vai andar mais descalço pra sentir na própria pele pelo que está passando, usando menos roupas que gritam o que ela não é, vai ser menos óbvia, colocar na mala uma dose de amor e uma garrafa de liberdade, e sair por ai pouco se importando se o seu ‘eu’ vem, ou não, atrás.